quarta-feira, 25 de maio de 2016

Illusion Tour: Procura-se Homem

Procura-se Homem

é uma ação que fecha um ciclo, desenvolve e abre outro ciclo novo ao condensar os elementos mais básicos de tudo que eu já trabalhava há alguns anos, revela seus caminhos e afirma que são possíveis.

a performance é simples, consiste em colar páginas de revistas gays masculinas com nudez em um mural e por cima delas colar páginas de revistas de moda, com os homens vestidos.

todo o restante nasce na hora, é fruto do desejo. não um desejo erótico diante da nudez, mas desejo reativo e cínico naquela observação dos corpos tão expostos e depois tão cobertos.

ser homem ali, é não ter seios nem vagina e possuir um pênis. a partir disso tirar minha própria roupa, me apropriar daqueles corpos das fotos, sexualizar minha relação com suas imagens e imitá-las é uma brincadeira com o que sobra desse homem.
não é possível saber, mas ao mesmo tempo é, o que desenha e afirma o que o homem afinal pode ser quando nu ou quando se veste. 
não há atitude nítida que estabeleça diferenças e demarcações ao se observar aqueles homens em fotografias, ou ao vivo e presencialmente.
voz, gestos, gostos e objetivos de homens, nós já conhecemos. 
o que não sabemos é o que pode ser feito ou que faz aquele corpo quando está apenas nu e não uniformizado com as vestes que classificamos como masculinas e nem quando esse corpo está sozinho ou nem quando este corpo está com outros corpos masculinos, vestidos ou nus.



me interesso pelo ser neutro. neutro é o que não grita para dizer que está nessa ou na outra posição e não empresta da imagem desse ou daquele lado para provocar. é uma tentativa de ser algo que não precisa da definição. é isso. 
não precisa assumir o lado que já está, nem migrar para o outro, nem ficar no meio do caminho, nem agredir ou se submeter.

é menos físico e mais espiritual. mas é impossível o físico não ser o canal e a mídia que contem esses dados.

sensibilizar o corpo e no entorno estabelecer uma micro-esfera de ocupação.
ao tocar ou exibir o núcleo dessa esfera, toca ou repele outras esferas. faz menos e faz o óbvio para não contaminar ou apropriar-se.
permite-se ser apropriado e relacionar-se (ou não). ser visto é relacionar-se. não querer ser visto ou não poder ser mostrado é relacionar-se com esferas alheias a ponto de abrir o conflito.

há vontade e cuidado. procura-se sanidade e afirmação. procura-se os que se perderam em si e se colocaram para fora e procuraram aos outros e os colocaram para dentro.
procura-se  homem que deseja um homem que é desejado por um homem.
procura-se homens de verdade
aqueles que são nus
os que estão tão certos de si que não fazem força para serem homens
os que estão nus entre os homens.

procura-se uma héterohomo eroticidade

desfazendo ilusão.

FESTIVAL LA PLATAFORMANCE - RESISTÊNCIA EM REDE  28 DE ABRIL DE 2016 











Fotos: Ney Rocha

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Illusion




01. Controle
02. Era tudo engano
03. Sem explicações
04. Profecia
05. X-Static
06. Wanted man
07. Spaceboys









quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Illusion




ILLUSION





novo álbum

experimento de música amadora + criação descompromissada 
voz crua + palavra solta



01. Controle
02. Era tudo engano
03. Sem explicações
04. Profecia
05. X-Static 
06. Wanted man
07. Spaceboys



segunda-feira, 26 de outubro de 2015

skin




skin
album release:


Ação+voz

o álbum skin, é meu primeiro experimento em registro da voz como relato de uma ação que traz texto e presença delocados no tempo e captados, transmutados em mídia física e que multiplicam aquele instante

o ambiente, o som do real, do espaço que abriga o corpo são trilha sonora
background para desabafo


a fala passa a ser: eu

eu falo e ali estou


ativo o pensamento: você ouve, me ouve. então passo a existir

desde o início da produção como Ique in Vogue já pensava em maneiras de colocar meus textos, que chamo de desabafos, para circularem com o recurso da minha voz, da minha leitura

anos de maturação do trabalho de se perder e ser massa amorfa que apenas pode ser
em um momento definido pelo universo, meu existir psíquico se comunica com meu estar físico e a matéria acumulado na essência mental, possibilitou: hora da vontade passar a ser fato


gravado no som natural do Parque do Piqueri, zona leste de São Paulo, SP, o encapsular de natureza entre pedra seca da civilização, permitiu que a poética Zephyr, tão cheia da sutileza do vento e da natureza ao redor crescesse e desse casa a essas palavras, escritas em 2014.

o ciclo se fechou para dar partida ao fluxo novamente até o próximo ciclo

o álbum será gravado em CD e será lançado também em DVD que trará outros trabalhos, uma coletânea de registros de performances e videoperformances recentes.
também estará disponível no soundcloud e algumas faixas remixadas poderão ser ouvidas também no youtube



quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Zephyr





































The only one

Eu acabo sendo o único que opina e que não opina e o único com quem ninguém concorda.
O único é um estado meu. Ser único, ser sozinho. Aprendi a ser sozinho não sendo o único.
oh, o único que ficou
O único que ainda tenta, o único que faz isso, o único que acha que tá bom assim, o único que quer.
O único completo e incompleto, o único que terminou sem ter começado, que acabou sem ter recomeçado e o único que já recomeçou.
O único que espera.



nothing really matters

Um outro ano está aqui.
Está dentro de mim. Um universo está dentro de mim.
Experiência pode nos mudar muito. Nada realmente importa mais do que aquilo que vá te fazer feliz. Desculpe, mundo, mas eu não quero sua negatividade.
Nu em uma cadeira eu estou observando você.

Nada realmente importa, nada acaba importando quando vejo o quanto
já passou e não volta mais.
Nada mais importa quando eu quero que o novo venha.
Nada pode ser nem estar nem permanecer nem aparecer.
Deixei de permanecer, agora eu me importo.



domingo, 15 de março de 2015

Zephyr



01. Haunts
02. The future
03. Vento/Vento
04. Swim
05. Start again
06. To have and not to hold
07. So hot yet so cold
08. Silence
09. Zephyr



Foto-performances promocionais:































Eu encontro outros corpos.











Prisão de dentro. Prisão de fora.
Prisão de dentro pra fora.







I close my eyes
Eu fecho os olhos por que não quero ver como e nem quando tudo se deteriorou de tal forma que agora, não pode ser mais reconhecido como mundo.

Eu fecho os olhos para fora, abro para dentro e vejo que eu havia deteriorado.
Fiz a limpeza, me desfiz de tudo que incomodava e ocupava espaço. Não vou mentir, ainda tem coisas que não tem mais valor aqui dentro. Fora, eu não vou olhar mais por um tempo. Dentro há um brilho novo, fora há uma escuridão desagradável.
Eu fecho meus olhos, preciso fazer uma conexão com algo maior que me chama e eu ouço.
Quando eu abrir os olhos de novo, continuarei vendo o que sempre vi, não sei se haverá limpeza do lado de fora também.

Substitute
Eu procuro uma luz que substitua a luz que me ilumina agora, que me inunda de claridade mas não me permite enxergar, que revela e não me deixa ver, que me cerca e não me deixa sair. Quero outra luz que não a luz que me força a enxergar, revelar e não ver.
Quero e recebo uma outra luz.

Silence
Eu corri de tudo que pudesse ser algum ruído perto de mim.
No silêncio interno ouvi algumas vozes me dizendo pra parar.
Eu apenas achei que se parasse e ficasse quieto, muito quieto, em silêncio absoluto, conseguiria parar de pensar. Não foi possível. Eu pude apenas enquanto em silêncio ouvir um chamado da obrigação de pensar cada vez mais. Eu sou força, eu giro energias e eu movimento poderes. Eu sou tão poderoso que não consigo ficar em silêncio. Eu tenho, eu possuo, eu crio, eu renovo, eu posso. Vou continuar em silêncio enquanto não consigo deixar de pensar.

Silêncio.
Ouço tudo que vem de dentro, uma multidão gritando meu nome para me envaidecer,
mas que na verdade me humilham, me ofendem, me desmontam.
Eu então olho para todas de uma só vez e em silêncio calo todas,
enfraqueço todas, expulso todas.
Sobra uma, que é o silêncio, como posso perceber depois. Ele me cala.
No silêncio, há tanto movimento.
No meu silêncio, há tanto movimento.
No meu movimento, não há silêncio.
Se eu me movo, eu silencio.
Imagino quanto silêncio não foi feito e quanto silêncio foi perdido.

Recebi tantos avisos e tantos recados, mas, pena, não pude entendê-los. Eu não via nada neles. Nem sentido e nem mesmo uma razão, nem senso, nem emoção. Eu perguntava quem me mandava, eu questionava qual a ordem correta, por quê e para quê, quem e quando, não era respondido então mandava o recado de volta, em branco. Esperava incomodar alguém. Recebi todos de volta.
Hoje estou me tratando, eu adoeci, fiquei sozinho, não sei ainda dos motivos, nem dos avisos.

Eu escolho, eu escolhi, eu fui escolhido.
Me retiro de todo e qualquer ruído, não faço parte de nada, sou tão quieto.
Eu aqui permaneço. Eu permaneço escolhendo, eu faço parte do nada.
Eu escolho e permaneço.
Eu e um ruído.

Ah, silêncio.

Ah, medo todo sereno de ser visto assim.
Ah, mente inquieta, silencia meus medos.

Unapologetically alive
Eu nem comecei a mudar e já encontrei tudo mudado. Cheguei a sentir contrações como se fosse nascer de mim alguém novo e pronto, com outra cara pronta para me encarar.
Deixei para trás correntes e uma forca, uma cela e uma cama com um jarro de água vazio ao lado, agora corro por um corredor branco e frio que me empolga ao me fazer pensar no que me espera quando eu chegar ao final mas me deixa tão triste por pensar no jarro que deixei pra trás e que eu ainda esperava conseguir enchê-lo novamente.
Eu deixei de me preocupar e acabei tão preocupado com tudo, que me deixei.

Eu continuo vivo e decidi que continuarei. Me arrependo de tudo, não tenho remorso nenhum, não vou refazer nada, não tenho tempo.


Zephyr
Vento que traz palavras dos outros e leva minhas palavras embora, vento que me traz mais peso para carregar.
Vento que leva esperança para longe.
Vento que leva o passado por que ele já foi. Vento com cheiro de futuro.
Vento que aumenta o volume das vozes ao meu redor e manda calar a boca das vozes dentro de mim.
Ventos que destroem qualquer fortaleza que eu construa.

Ventos que mudam, que desequilibram, que arrastam, que fazem limpeza.
Sujeira jogada ao vento.



Quem são vocês?
Quem são vocês todos?

Eu os ouço. Já sei, são ventos.
Ventos da mudança, boa e ruim. Ventos que limpam.
Me responsabilizei por toda a sujeira e quase fui levado pelo vento.
Não me responsabilizei pelas mudanças e fui levado pelos ventos.

Quem são vocês? São meus outros lados.
Minhas outras vozes, quando decidem gritar comigo, são impossíveis.
Eu agora grito com elas.
Me espantei, eu sou tudo isso e muito mais e muito menos.

 Eu não espero mais por nada.
Eu continuo apenas imaginado,
assim no futuro,
terei ótimas lembranças do que não aconteceu
mas que vivi intensamente
na imaginação.
Não tenho mais esperança.

Nadei contra todas as correntes
sempre senti que me afogava
continuei nadando
tentaram me afogar.



Ventos que me trouxeram novas ideias se foram tão rápido quanto vieram e me despertaram.
Eu voei de tão leve que estou.
Sabores, odores, vozes, alturas, cores.
Sentidos dispararam e me fizeram sentir que ainda havia algo, mesmo com o vento tão forte
que espalhou minha poeira, mesmo com o vento tão brando que não me refrescou, mesmo com o vento frio que me deixou tão sofrido, mesmo com o vento quente que me derreteu.
Eu suei muito, também tremi.
Estive sozinho o tempo todo.
Ouvi uma voz que o vento trouxe, parecia alguém dizendo "vá viver".

Eu estou esperando uma explicação de mim mesmo.
Eu quero saber por que eu não me permiti ser feliz por tanto tempo.
Eu senti um vento chegar
e trazer uns sons e umas vozes carregadas de tão longe,
me derrubaram como um furacão leva uma casa como se não pesasse.
Senti incômodo e frio, muito frio, mas deixei ventar.
Eu vivi com as janelas fechadas por algumas décadas
e quando ventava eu só via as folhas serem empurradas
e as pessoas que lutavam contra o vento enquanto eu sentia falta de ar.
Fiquei pensando e agora que senti isso
não sei mesmo se antes eu percebi o vento.
Eu tinha medo do vento.
Tive tanto medo que ele me levasse pra longe, imagine.

Eu tiro a coroa que não me cabe por que não me pertence ainda.
Evito agora a falsa sabedoria, não tenho compreensão das coisas.
Que eu tenha misericórdia dos outros e de mim mesmo primeiramente.
Que eu deva evitar me fixar em julgamento.
Tento reconhecer a beleza das coisas, quero a vitória sobre mim.
Preciso me permitir chegar ao esplendor, preciso construir minha fundação com firmeza.
Ainda vou trabalhar e manter este reino.

Me falta conhecimento.

Todos os injustos, todos os aproveitadores
Todos aqueles que tiverem o mal em seus corações e em suas bocas
Todos que são ruins
Vinde a mim e eu vos aliviarei
Eu sou seu rei e sou pior que vocês.