segunda-feira, 26 de outubro de 2015

skin




skin
album release:


Ação+voz

o álbum skin, é meu primeiro experimento em registro da voz como relato de uma ação que traz texto e presença delocados no tempo e captados, transmutados em mídia física e que multiplicam aquele instante

o ambiente, o som do real, do espaço que abriga o corpo são trilha sonora
background para desabafo


a fala passa a ser: eu

eu falo e ali estou


ativo o pensamento: você ouve, me ouve. então passo a existir

desde o início da produção como Ique in Vogue já pensava em maneiras de colocar meus textos, que chamo de desabafos, para circularem com o recurso da minha voz, da minha leitura

anos de maturação do trabalho de se perder e ser massa amorfa que apenas pode ser
em um momento definido pelo universo, meu existir psíquico se comunica com meu estar físico e a matéria acumulado na essência mental, possibilitou: hora da vontade passar a ser fato


gravado no som natural do Parque do Piqueri, zona leste de São Paulo, SP, o encapsular de natureza entre pedra seca da civilização, permitiu que a poética Zephyr, tão cheia da sutileza do vento e da natureza ao redor crescesse e desse casa a essas palavras, escritas em 2014.

o ciclo se fechou para dar partida ao fluxo novamente até o próximo ciclo

o álbum será gravado em CD e será lançado também em DVD que trará outros trabalhos, uma coletânea de registros de performances e videoperformances recentes.
também estará disponível no soundcloud e algumas faixas remixadas poderão ser ouvidas também no youtube



quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Zephyr





































The only one

Eu acabo sendo o único que opina e que não opina e o único com quem ninguém concorda.
O único é um estado meu. Ser único, ser sozinho. Aprendi a ser sozinho não sendo o único.
oh, o único que ficou
O único que ainda tenta, o único que faz isso, o único que acha que tá bom assim, o único que quer.
O único completo e incompleto, o único que terminou sem ter começado, que acabou sem ter recomeçado e o único que já recomeçou.
O único que espera.



nothing really matters

Um outro ano está aqui.
Está dentro de mim. Um universo está dentro de mim.
Experiência pode nos mudar muito. Nada realmente importa mais do que aquilo que vá te fazer feliz. Desculpe, mundo, mas eu não quero sua negatividade.
Nu em uma cadeira eu estou observando você.

Nada realmente importa, nada acaba importando quando vejo o quanto
já passou e não volta mais.
Nada mais importa quando eu quero que o novo venha.
Nada pode ser nem estar nem permanecer nem aparecer.
Deixei de permanecer, agora eu me importo.



domingo, 15 de março de 2015

Zephyr



01. Haunts
02. The future
03. Vento/Vento
04. Swim
05. Start again
06. To have and not to hold
07. So hot yet so cold
08. Silence
09. Zephyr



Foto-performances promocionais:































Eu encontro outros corpos.











Prisão de dentro. Prisão de fora.
Prisão de dentro pra fora.







I close my eyes
Eu fecho os olhos por que não quero ver como e nem quando tudo se deteriorou de tal forma que agora, não pode ser mais reconhecido como mundo.

Eu fecho os olhos para fora, abro para dentro e vejo que eu havia deteriorado.
Fiz a limpeza, me desfiz de tudo que incomodava e ocupava espaço. Não vou mentir, ainda tem coisas que não tem mais valor aqui dentro. Fora, eu não vou olhar mais por um tempo. Dentro há um brilho novo, fora há uma escuridão desagradável.
Eu fecho meus olhos, preciso fazer uma conexão com algo maior que me chama e eu ouço.
Quando eu abrir os olhos de novo, continuarei vendo o que sempre vi, não sei se haverá limpeza do lado de fora também.

Substitute
Eu procuro uma luz que substitua a luz que me ilumina agora, que me inunda de claridade mas não me permite enxergar, que revela e não me deixa ver, que me cerca e não me deixa sair. Quero outra luz que não a luz que me força a enxergar, revelar e não ver.
Quero e recebo uma outra luz.

Silence
Eu corri de tudo que pudesse ser algum ruído perto de mim.
No silêncio interno ouvi algumas vozes me dizendo pra parar.
Eu apenas achei que se parasse e ficasse quieto, muito quieto, em silêncio absoluto, conseguiria parar de pensar. Não foi possível. Eu pude apenas enquanto em silêncio ouvir um chamado da obrigação de pensar cada vez mais. Eu sou força, eu giro energias e eu movimento poderes. Eu sou tão poderoso que não consigo ficar em silêncio. Eu tenho, eu possuo, eu crio, eu renovo, eu posso. Vou continuar em silêncio enquanto não consigo deixar de pensar.

Silêncio.
Ouço tudo que vem de dentro, uma multidão gritando meu nome para me envaidecer,
mas que na verdade me humilham, me ofendem, me desmontam.
Eu então olho para todas de uma só vez e em silêncio calo todas,
enfraqueço todas, expulso todas.
Sobra uma, que é o silêncio, como posso perceber depois. Ele me cala.
No silêncio, há tanto movimento.
No meu silêncio, há tanto movimento.
No meu movimento, não há silêncio.
Se eu me movo, eu silencio.
Imagino quanto silêncio não foi feito e quanto silêncio foi perdido.

Recebi tantos avisos e tantos recados, mas, pena, não pude entendê-los. Eu não via nada neles. Nem sentido e nem mesmo uma razão, nem senso, nem emoção. Eu perguntava quem me mandava, eu questionava qual a ordem correta, por quê e para quê, quem e quando, não era respondido então mandava o recado de volta, em branco. Esperava incomodar alguém. Recebi todos de volta.
Hoje estou me tratando, eu adoeci, fiquei sozinho, não sei ainda dos motivos, nem dos avisos.

Eu escolho, eu escolhi, eu fui escolhido.
Me retiro de todo e qualquer ruído, não faço parte de nada, sou tão quieto.
Eu aqui permaneço. Eu permaneço escolhendo, eu faço parte do nada.
Eu escolho e permaneço.
Eu e um ruído.

Ah, silêncio.

Ah, medo todo sereno de ser visto assim.
Ah, mente inquieta, silencia meus medos.

Unapologetically alive
Eu nem comecei a mudar e já encontrei tudo mudado. Cheguei a sentir contrações como se fosse nascer de mim alguém novo e pronto, com outra cara pronta para me encarar.
Deixei para trás correntes e uma forca, uma cela e uma cama com um jarro de água vazio ao lado, agora corro por um corredor branco e frio que me empolga ao me fazer pensar no que me espera quando eu chegar ao final mas me deixa tão triste por pensar no jarro que deixei pra trás e que eu ainda esperava conseguir enchê-lo novamente.
Eu deixei de me preocupar e acabei tão preocupado com tudo, que me deixei.

Eu continuo vivo e decidi que continuarei. Me arrependo de tudo, não tenho remorso nenhum, não vou refazer nada, não tenho tempo.


Zephyr
Vento que traz palavras dos outros e leva minhas palavras embora, vento que me traz mais peso para carregar.
Vento que leva esperança para longe.
Vento que leva o passado por que ele já foi. Vento com cheiro de futuro.
Vento que aumenta o volume das vozes ao meu redor e manda calar a boca das vozes dentro de mim.
Ventos que destroem qualquer fortaleza que eu construa.

Ventos que mudam, que desequilibram, que arrastam, que fazem limpeza.
Sujeira jogada ao vento.



Quem são vocês?
Quem são vocês todos?

Eu os ouço. Já sei, são ventos.
Ventos da mudança, boa e ruim. Ventos que limpam.
Me responsabilizei por toda a sujeira e quase fui levado pelo vento.
Não me responsabilizei pelas mudanças e fui levado pelos ventos.

Quem são vocês? São meus outros lados.
Minhas outras vozes, quando decidem gritar comigo, são impossíveis.
Eu agora grito com elas.
Me espantei, eu sou tudo isso e muito mais e muito menos.

 Eu não espero mais por nada.
Eu continuo apenas imaginado,
assim no futuro,
terei ótimas lembranças do que não aconteceu
mas que vivi intensamente
na imaginação.
Não tenho mais esperança.

Nadei contra todas as correntes
sempre senti que me afogava
continuei nadando
tentaram me afogar.



Ventos que me trouxeram novas ideias se foram tão rápido quanto vieram e me despertaram.
Eu voei de tão leve que estou.
Sabores, odores, vozes, alturas, cores.
Sentidos dispararam e me fizeram sentir que ainda havia algo, mesmo com o vento tão forte
que espalhou minha poeira, mesmo com o vento tão brando que não me refrescou, mesmo com o vento frio que me deixou tão sofrido, mesmo com o vento quente que me derreteu.
Eu suei muito, também tremi.
Estive sozinho o tempo todo.
Ouvi uma voz que o vento trouxe, parecia alguém dizendo "vá viver".

Eu estou esperando uma explicação de mim mesmo.
Eu quero saber por que eu não me permiti ser feliz por tanto tempo.
Eu senti um vento chegar
e trazer uns sons e umas vozes carregadas de tão longe,
me derrubaram como um furacão leva uma casa como se não pesasse.
Senti incômodo e frio, muito frio, mas deixei ventar.
Eu vivi com as janelas fechadas por algumas décadas
e quando ventava eu só via as folhas serem empurradas
e as pessoas que lutavam contra o vento enquanto eu sentia falta de ar.
Fiquei pensando e agora que senti isso
não sei mesmo se antes eu percebi o vento.
Eu tinha medo do vento.
Tive tanto medo que ele me levasse pra longe, imagine.

Eu tiro a coroa que não me cabe por que não me pertence ainda.
Evito agora a falsa sabedoria, não tenho compreensão das coisas.
Que eu tenha misericórdia dos outros e de mim mesmo primeiramente.
Que eu deva evitar me fixar em julgamento.
Tento reconhecer a beleza das coisas, quero a vitória sobre mim.
Preciso me permitir chegar ao esplendor, preciso construir minha fundação com firmeza.
Ainda vou trabalhar e manter este reino.

Me falta conhecimento.

Todos os injustos, todos os aproveitadores
Todos aqueles que tiverem o mal em seus corações e em suas bocas
Todos que são ruins
Vinde a mim e eu vos aliviarei
Eu sou seu rei e sou pior que vocês.




#secretsadness






01. Saint Provocateur
02. #secretsadness












Tenho dormido mais, para sonhar que viver não é um sonho ruim.


Tenho sonhado com tantas pessoas, todas elas passam por mim e me cercam
Tantas me falam tantas coisas, me incomodo pela falta de atenção e pelo excesso.
Sinto que os sonhos todos já se confundiram tanto
que da próxima vez que eu acordar, morrerei.
Tenho me deitado para ver se durmo, mas me parece que dormi para ver se levantava.
Já vi os discos voadores, já vi as almas, já senti os arrepios
já ouvi os chamados, falsos e verdadeiros.
Quero agora tentar contar meus sonhos, mas quando vou contar, todos dormem.
Não existe vez e não existe chance,
não tem mais aquela coisa da tentativa, se foi, já foi, se não foi
não será mais.
Não tem mais relógio marcando para mim também.
Eu vou fingir que não tenho notado todas essas coisas e vou continuar aqui
não sei se dormindo ou já acordado, mas de qualquer forma este sonho não está bom.
Me diziam que não se deve contar os sonhos antes do café da manhã, que eles acontecem.




Nos fundos do meu porão eu guardo tudo que eu não sei que existe.
Lá eu guardo tudo aquilo que eu não sei se vou precisar.
Lá eu guardo você.
No meu porão, acumulo.
Há alguns anos descobri que alguém andou colocando umas coisas lá, por que, juro, não fui em quem guardou aquilo.
Desde então, tenho tentado me perder em uma grande arrumação.
Não tenho mais tentando me achar, tenho tentado me perder mesmo.
Eu inventei diversas maneiras de permitir que aquilo tudo desaparecesse sozinho.
Até cometi o erro de achar que alguém me ajudaria a tirar tudo aquilo de lá.
Depois, por um tempo, fingi que nem existia aquela coisa toda.
Hoje eu aceitei tudo aquilo. É tudo meu.
Uso, espero, permito sentir sua presença.
Ás vezes sei que se escondem de mim. Todas aquelas coisas.
Há uma grande utilidade em tudo aquilo que está lá naquela sala.
É uma sala obscura, dizem.
É uma sala misteriosa, dizem.
Não sei se é misteriosa, é tudo meu, não acho que vá me espantar com o que tem lá.
O engraçado é que por mais que eu não saiba qual o conteúdo do que realmente está lá dentro,
muitos que me conhecem se espantam o tempo todo com o que vem de lá.
Acho que tudo transparece em mim.



Meus sonhos não são tentativas inúteis de mascarar as demandas mais primitivas e perversas da minha mente.
Minha mente, no caso, sou eu mesmo, eu que escrevo, eu que falo, eu que falho.
Meu ato falho é acordar todos os dias e viver, sendo que estava muito mais interessante na cena que eu criei enquanto dormia. Daí, acordado, me refugio nas memórias trancafiadas abafadas que me foram implantadas.
Desço níveis, desço às camadas profundas da minha origem para encontrar um resto.
Uso dos meus restos para me mostrar.
Faço contatos imediatos e exponho meu pior, enquanto que meu melhor, eu procuro trancar para que ninguém o roube mais. Tudo de meu pior me é muito caro.
Continuo descendo níveis, até o ponto em que me torno um incômodo.
Falo de tudo que do fundo da minha alma cheira a podre e saio em colheita da podridão alheia, que em análise e comparação e igual á minha.
Tentei parar e tentei piorar.
Não consegui nem coisa nem outra, mas não ligo.
Não me cobro mais.
Não me cobro, por quê não tenho como me pagar.
 Saint provocateur
Iluminei meu inconsciente com uma lanterna de olhos acesos que de tão claros por fora escureciam por dentro. Chorei com estes mesmos olhos, a lágrima pingou no chão, secou lentamente enquanto a lanterna apagou, o olho piscou e eu já não conseguia enxergar mais a camada mais profunda do meu pensamento que eu tinha visto rapidamente quando o olho acendeu como lanterna e iluminou para mim e não vi nenhuma lágrima.
Chorei mais ainda quando percebi que havia apagado meus olhos e já não tinha mais como enxergar nada e naquela escuridão, morrendo de medo, adormeci. Sonhei que tinha encontrado seus olhos e enquanto te procurava para entregá-los, perdi os meus. Perdi meus olhos nos seus de tão profunda que era a escuridão que eu via neles e sem medo, entrei. Entrei para procurar você, encontrei a mim, chorei e acordei. Levantei-me, não estava mais escuro, procurei um espelho, encontrei minha imagem, vi meus olhos, sem escuridão e sem medo, não precisei de lanterna, enxerguei tudo, mas não vi o que procurava inicialmente, que estava sob aquela camada de inconsciente onde me disseram que moram meus sonhos.
Eu não tenho os olhos de um tigre nem me sinto um campeão. Não tenho o peso necessário, não tenho a altura permitida. 
Meu rugido é muito baixo para ser ouvido.
Penso tanto em mim e não quero que pensem em mim, mas quero que não me esqueçam. Minhas medidas e características principais não serão anotadas. Peço para que não prestem atenção no que transparecem óbvio na minha cara, mas notem a sutileza do não que estampo nos olhos e termina mudo em cada frase minha. Tento não rugir, tento só gritar. 
Sonho com todas as vezes em que sou provocado e devolvo qualquer irritação com um grito bem forte que ninguém ouve por que é interno. Enquanto só eu mesmo ouço meus gritos, vocês gritam comigo como se eu tivesse culpa de querer ser alguém que talvez queira ser alguém.
#secretsadness
É uma tristeza que se torna um buraco.
É uma invisibilidade que o faz não ver-se mais e duvidar da sua existência.
É um desespero que parece ansiedade.

É o caminho sem volta.
É um medo de desistir.
Arrependimento de tudo que foi feito, de ter pensado em fazer e de quase ter feito.
Vontade de terminar o ciclo repentinamente sem avisar, surpreender a linha do tempo e dar um nó no destino falso criado sem querer em algum ponto do passado, que foi enraizado e agora ninguém arranca mais.
Sensação de frio. Solidão imbecil.

É ter muito pouco para oferecer e nada para receber.
É ter que se encaixar nas sobras e ciscar farelos. É ser como se é.
Pior verdade e maior mentira.
Sustos não acontecem mais.
Previsível foi a derrota, agora o silêncio é inevitável.
Há uma luz sobre minha cabeça.

Ela me vê, me acompanha, eu não a vejo.
Eu não a tenho dentro de mim. Eu não ilumino.
Eu sou triste.

Inconsciência não é escudo, ilusão não é espada.
Eu me defendo e eu ataco, eu não luto, estou reagindo involuntariamente.